29 de dez. de 2013

ANO NOVO




































" Para ganhar um Ano Novo que mereça este nome, meu caro,tem de fazê-lo novo.
Eu sei que não é fácil, mas tente, experimente, consciente.
É dentro de você que o Ano Novo cochila e espera desde sempre."

Carlos Drummond de Andrade

27 de dez. de 2013

NUVEM NEGRA



"Passa nuvem negra
Larga o dia
E vê se leva o mal
Que me arrasou
Pra que não faça sofrer mais ninguém
Esse amor que é raro e é preciso
Pra nos levantar..."

Djavan

26 de dez. de 2013

FIM DE LINHA















Finalmente,
a minha vida sempre precária,
não deu em outra coisa,
Está, novamente, desfeita em pedaços.
E os recursos, não mais renováveis,
dada a frágilidade da condição humana
se esgotaram.
Fim de linha!
...

SALDO



Deixei um coração que julguei forte, seguro
e fui socorrer aquele que sabia pequeno, limitado
para proteger corações amados, sem culpa.

Os corações amados, partiram sem culpa.

O pequeno não venceu os limites.
O forte não era forte.
E o meu partiu-se de vez.

16 de dez. de 2013

SEGREDOS



"Em cada um de nós há um segredo,
uma paisagem interior
com planícies invioláveis,
vales de silêncio
e paraísos secretos."

Saint-Exupéry

15 de dez. de 2013

METADE



Que a força do medo que tenho, não me impeça de ver o que anseio.
Que a morte de tudo o que acredito não me tape os ouvidos e a boca
Porque metade de mim é o que eu grito,mas a outra metade é silêncio.

Que a música que eu ouço ao longe, seja linda, ainda que tristeza.
Que a mulher que eu amo seja pra sempre amada mesmo que distante
Porque metade de mim é partida mas a outra metade é saudade
.
Que as palavras que eu falo não sejam ouvidas como prece, e nem repetidas com fervor;
apenas respeitadas, como a única coisa que resta a um homem inundado de sentimentos...
Porque metade de mim é o que ouço, mas a outra metade é o que calo.

Que essa minha vontade de ir embora se transforme na calma e na paz que eu mereço...
E que essa tensão que me corroe por dentro seja um dia recompensada.
Porque metade de mim é o que eu penso mas a outra metade é um vulcão.

Que o medo da solidão se afaste, e que o convívio comigo mesmo, se torne ao menos suportável.
Que o espelho reflita em meu rosto, um doce sorriso, que me lembro ter dado na infância
Porque metade de mim é a lembrança do que fui, a outra metade eu não sei.

Que não seja preciso mais do que uma simples alegria para me fazer aquietar o espírito
E que o teu silêncio me fale cada vez mais.
Porque metade de mim é abrigo, mas a outra metade é cansaço.

Que a arte nos aponte uma resposta, mesmo que ela não saiba
E que ninguém a tente complicar porque é preciso simplicidade para faze-la florescer
Porque metade de mim é platéia, e a outra metade é canção

E que a minha loucura seja perdoada,
Porque metade de mim é amor, e a outra metade...também.

Pablo Neruda

13 de dez. de 2013

ODE DE RICARDO REIS























“Segue o teu destino,
Rega as tuas plantas,
Ama as tuas rosas.
O resto é a sombra
De árvores alheias.

Ricardo Reis (heterônimo de Fernando Pessoa)

LUA CHEIA



Pobre alma solitária, essa minha
Ah! Meu coração em pedaços!
Para que essa lua tão linda lá fora?
São apenas 18h21 e ela ja está lá.
Por que estar cheia, enorme, bela,
e iluminando tudo?
Para me fazer pequena
e me fazer chorar...

Gmini

4 de dez. de 2013

DO LIVRO BAGAGEM


“Meu Deus,/me dá cinco anos.
Me dá um pé de fedegoso com formiga preta,
me dá um Natal e sua véspera,
o ressonar das pessoas no quartinho.
Me dá a negrinha Fia pra eu brincar,
me dá uma noite pra eu dormir com minha mãe.
me dá a mão, me cura de ser grande,
ó meu Deus, meu pai,
meu pai”.

Adélia Prado

9 de nov. de 2013

CANÇÂO
















Quero um dia para chorar.
Mas a vida vai tão depressa!
- e é preciso deixar contida
a tristeza, para que a vida,
que acaba quando mal começa,
tenha tempo de se acabar.

Não quero amor, não quero amar…
Não quero nenhuma promessa
nem mesmo para ser cumprida.
Não quero a esperança partida,
nem nada de quanto regressa.
Quero um dia para chorar.

Dia de desprender-me dessa
aventura mal entendida
sobre os espelhos sem saída
em que jaz minha face impressa.
Chorar sem protesto. Chorar.

Cecília Meireles

2 de nov. de 2013

À DESCOBERTA DO AMOR























Ensaia um sorriso
e oferece-o a quem não teve nenhum.
Agarra um raio de sol
e desprende-o onde houver noite.
Descobre uma nascente
e nela limpa quem vive na lama.
Toma uma lágrima
e pousa-a em quem nunca chorou.
Ganha coragem
e dá-a a quem não sabe lutar.
Inventa a vida
e conta-a a quem nada compreende.
Enche-te de esperança
e vive á sua luz.
Enriquece-te de bondade
e oferece-a a quem não sabe dar.
Vive com amor
e fá-lo conhecer ao Mundo.

Mahatma Gandhi

30 de out. de 2013

EU



Era pegar uma estrada de tarde,
um vento de noite,
uma estrela madrugadora
que não dormia nunca...
Era uma juventude que eu tinha,
mas era bem repartida, não sei bem.
Porque hoje tenho anos em cima de anos,
não significa que possuo sabedoria.
Sabedoria fica para a parte final...
Tudo que possuo hoje é complexo e árduo;
é isso que chamam vida.

Blog Pé de Pitanga

25 de out. de 2013

MURMÚRIOS
















 Traze-me um pouco das sombras serenas
que as nuvens transportam por cima do dia!
Um pouco de sombra, apenas,
- vê que nem te peço alegria.

Traze-me um pouco da alvura dos luares
que a noite sustenta no teu coração!
A alvura, apenas, dos ares:
- vê que nem te peço ilusão.

Traze-me um pouco da tua lembrança,
aroma perdido, saudade da flor!
-Vê que nem te digo - esperança!
- Vê que nem sequer sonho - amor!

Cecília Meireles

24 de out. de 2013

PRESENÇA
















Estou longe de ti. 
De repente um vento que sopra,
uma folha que cai, 
uma estrela que brilha,
um perfume que passa
são, instantaneamente, 
a tua presença ao meu lado...

E saio a te procurar,
como se obedecesse
a algum sinal combinado.

J G de Araujo Jorge

23 de out. de 2013

BILHETE
















Se tu me amas, ama-me baixinho
Não o grites de cima dos telhados
Deixa em paz os passarinhos
Deixa em paz a mim!
Se me queres,
enfim,
tem de ser bem devagarinho, Amada,
que a vida é breve, e o amor mais breve ainda...

Mario Quintana

20 de out. de 2013

CANÇÃO PARA UMA VALSA LENTA























Minha vida não foi um romance...
Nunca tive até hoje um segredo.
Se me amas, não digas, que morro
De surpresa… de encanto… de medo...
Minha vida não foi um romance...
Minha vida passou por passar.
Se não amas, não finjas, que vivo
Esperando um amor para amar.
Minha vida não foi um romance...
Pobre vida… passou sem enredo...
Glória a ti que me enches a vida
De surpresa, de encanto, de medo!
Minha vida não foi um romance...
Ai de mim… Já se ia acabar!
Pobre vida que toda depende
De um sorriso... de um gesto... um olhar...

Mário Quintana

19 de out. de 2013

FOLHAS DE ROSA


















Todas as prendas que me deste, um dia,
Guardei-as, meu encanto, quase a medo,
E quando a noite espreita o pôr-do-sol,
Eu vou falar com elas em segredo …

E falo-lhes d’amores e de ilusões,
Choro e rio com elas, mansamente…
Pouco a pouco o perfume do outrora
Flutua em volta delas, docemente …

Pelo copinho de cristal e prata
Bebo uma saudade estranha e vaga,
Uma saudade imensa e infinita
Que, triste, me deslumbra e m’embriaga

O espelho de prata cinzelada,
A doce oferta que eu amava tanto,
Que reflectia outrora tantos risos,
E agora reflecte apenas pranto,

E o colar de pedras preciosas,
De lágrimas e estrelas constelado,
Resumem em seus brilhos o que tenho
De vago e de feliz no meu passado…

Mas de todas as prendas, a mais rara,
Aquela que mals fala à fantasia,
São as folhas daquela rosa branca
Que a meus pés desfolhaste, aquele dia…

Florbela Espanca

ESTRELA
















Há de surgir
Uma estrela no céu
Cada vez que você sorrir
Há de apagar
Uma estrela no céu
Cada vez que você chorar

O contrário também
Bem que pode acontecer
De uma estrela brilhar
Quando a lágrima cair
Ou então
De uma estrela cadente se jogar
Só pra ver
A flor do seu sorriso se abrir

Hum!
Deus fará
Absurdos
Contanto que a vida
Seja assim
Sim
Um altar
Onde a gente celebre
Tudo o que Ele consentir

Gilberto Gil

13 de out. de 2013

CANÇÃO II

















No desequilíbrio dos mares,
as proas giram sozinhas...
Numa das naves que afundaram
é que certamente tu vinhas.

Eu te esperei todos os séculos
sem desespero e sem desgosto,
e morri de infinitas mortes
guardando sempre o mesmo rosto

Quando as ondas te carregaram
meu olhos, entre águas e areias,
cegaram como os das estátuas,
a tudo quanto existe alheias.

Minhas mãos pararam sobre o ar
e endureceram junto ao vento,
e perderam a cor que tinham
e a lembrança do movimento.

E o sorriso que eu te levava
desprendeu-se e caiu de mim:
e só talvez ele ainda viva
dentro destas águas sem fim.

Cecília Meireles

CANÇÃO



















Pus o meu sonho num navio
e o navio em cima do mar;
- depois, abri o mar com as mãos,
para o meu sonho naufragar

Minhas mãos ainda estão molhadas
do azul das ondas entreabertas,
e a cor que escorre de meus dedos
colore as areias desertas.

O vento vem vindo de longe,
a noite se curva de frio;
debaixo da água vai morrendo
meu sonho, dentro de um navio...

Chorarei quanto for preciso,
para fazer com que o mar cresça,
e o meu navio chegue ao fundo
e o meu sonho desapareça.

Depois, tudo estará perfeito;
praia lisa, águas ordenadas,
meus olhos secos como pedras
e as minhas duas mãos quebradas

Cecília Meireles

12 de out. de 2013

SE TE ABAIXASTE, MONTANHA



Se te abaixasses, montanha,
poderia ver a mão
daquele que não me fala
e a quem meus suspiros vão.

- Se te abaixasses, montanha,
poderia ver a face
daquele que se soubesse
deste amor talvez chorasse.

- Se te abaixasses, montanha,
poderia descansar.
Mas não te abaixes, que eu quero
lembrar, sofrer, esperar.

Cecília Meireles


10 de out. de 2013

AS VITRINES


Eu te vejo sumir por aí
Te avisei que a cidade era um vão
- Dá tua mão
- Olha pra mim
- Não faz assim
- Não vai lá não

Os letreiros a te colorir
Embaraçam a minha visão
Eu te vi suspirar de aflição
E sair da sessão, frouxa de rir

Já te vejo brincando, gostando de ser
Tua sombra a se multiplicar
Nos teus olhos também posso ver
As vitrines te vendo passar
Na galeria, cada clarão
É como um dia depois de outro dia
Abrindo um salão
Passas em exposição
Passas sem ver teu vigia
Catando a poesia
Que entornas no chão